Boletim do PCB – SBC
Camaradas
está disponível na página destinada a armazenar os vários números, o boletim do PCB de São Bernardo nº4, lançado hoje.
Aproveitamos também para colocar a disposição o nº3, que ainda não estava lá.
Esperamos as críticas e as contribuições.
saudações comunistas!
Ciclos de formação do PCB-SBC
No dia 25 de Abril, o PCB – SBC iniciou seu novo processo de formação para o ano de 2010, com uma palestra sobre a “história do marxismo”, proferida pelo camarada Mauro Iasi, membro do Comitê Central do PCB.
Na ocasião, o camarada do CC saudou a iniciativa do CM de São Bernardo e salientou a importância da formação teórica de nossos quadros como um dos desafios mais importantes do momento atual da vida do Partido.
Decidiu-se a realização de três ciclos de formação, que serão realizados na seqüência apresentada abaixo, sempre no último domingo de cada mês.
Os encontros se iniciam as 09:30h e vão até as 12:00h, sempre na sede do partido em SBC, e seguem sempre a mesma metodologia: apresentação antecipada de textos para leitura, exposição do tema por algum camarada e abertura para debates.
A participação é livre para não-membros do Partido.
Veja abaixo os ciclos, temas, textos já selecionados e expositores:
Ciclo I: Fundamentos do Materialismo Histórico
- Etapa I: Conceito de Modo de Produção; Estrutura e Superestrutura - Cesar Mangolin de Barros
- Etapa II: Trabalho – Carlos Eduardo Duarte
- Etapa III: Transição e Revolução – Daniel Pansarelli
Ciclo II: Política e Luta de Classes
- Etapa I: Lênin, texto: “O Estado e a Revolução” – André Olobardi
- Etapa II: Mao Tse-tung, textos: “Sobre a Prática”, “Sobre a Contradição” – Cesar Mangolin de Barros
- Etapa III: Che, texto: “Escritos Políticos” – Carlos Eduardo Duarte
Ciclo III: Experiências Socialistas no século XX
- Revolução Russa – Daniel Pansarelli
- Revolução Chinesa – Cesar Mangolin de Barros
- Revolução Cubana – Carlos Eduardo Duarte
Novos textos para formação
Foram incluídos mais dois artigos de camaradas do PCB na página “Formação”, no item “Debates marxistas”.
Saiu o segundo número do Boletim Informativo Digital do Comitê Municipal do Partido Comunista Brasileiro de São Bernardo do Campo.
Ele pode ser lido na página “Boletim do PCB-SBC”, ao lado direito ou no cabeçalho do nosso site.
A novidade que propomos a partir desse número é que nosso boletim circulará quinzenalmente, com o lançamento previsto para todo dia 10 e 25 de cada mês.
As mudanças constantes na conjuntura municipal e nacional, bem como os acontecimentos pelo mundo afora que exigem o posicionamento dos comunistas nos oferecem e, de certa forma, obrigam, maior comunicação com setores diversos que extrapolam os limites do partido.
Nosso primeiro boletim recebeu boas críticas de diversos camaradas e companheiros (as) de outros partidos e diversos movimentos populares. A iniciativa, que parece ter sido acertada pelo retorno recebido, nos faz aumentar o zelo na preparação e também a responsabilidade de oferecer, ainda que com nossas limitadas possibilidades, mais um canal de divulgação das idéias avançadas, das lutas e da linha política revolucionária do PCB.
Como dito no primeiro número, esse é mais um instrumento da luta proletária e, assim sendo, está aberto às contribuições daqueles que se convenceram da necessidade da construção de um bloco revolucionário do proletariado,unindo partidos e organizações do movimento popular que pensam e agem tendo como horizonte estratégico a revolução socialista.
Obra coletiva e de muitas mãos, o processo revolucionário brasileiro pode avançar na medida em que esse bloco se tornar maior e mais coeso na defesa intransigente das lutas e conquistas dos trabalhadores na América latina e no mundo e na luta anti imperialista!
Curso Livre: “América Latina em questão”
Na Universidade Metodista são promovidos cursos livres para estudantes da UMESP e os de fora que queiram participar. Em abril inicia-se um novo curso: “América latina em questão”.
Segue abaixo o cronograma do novo curso, no campus Rudge Ramos.
07/04/2010
O lugar da América Latina na história – passado e presente
Prof. Daniel Pansarelli
14/04/2010
Democracia e golpes de estado no séc. XXI: os casos Venezuela e Honduras
Profª Suze Piza
05/05/2010
Movimentos Sociais na América Latina
Prof. Oswaldo Oliveira Santos Jr
12/05/2010
Política e luta de classes na atualidade latinoamericana
Prof. César Mangolin de Barros
19/05/2010
Teoria da dependência
Profª Luci Praun
26/05/2010
América Latina em questão
Profª Suze Piza e convidados
Local: no auditório SIGMA, as 18:00hs. Inscrições no ato das palestras ou pelo e-mail: cursohumanidades@metodista.br
Uma infausta data: 46 ANOS DEPOIS
31 Março 2010
À todos/as que partiram sem poder dizer adeus.
Caio N. de Toledo*
Há 46 anos – na data em que o imaginário popular consagra como o “dia da mentira” – era rompida a legalidade democrática implantada no Brasil com o fim da ditadura do Estado Novo (1937-1945). Nestes dias, apenas os falcões da ultradireita brasileira talvez se atreverão a lembrar ou comemorar publicamente o 1º. de abril de 1964; civis e militares que o fizerem, em bizarros cenários, serão uma inexpressiva minoria. Hoje, a quase totalidade das entidades que conspirou, apoiou e promoveu a derrubada do governo democrático de João Goulart (1961-1964), não festejará o golpe civil-militar de 1964. A este respeito, tome-se o exemplo dos grandes meios de comunicação; nestes dias, ao contrário do que fizeram durante quase duas décadas, deixarão eles de divulgar editoriais e artigos que exaltem os “feitos” do regime militar.* A explicação é uma só: no Brasil contemporâneo, todos se afirmam “amigos” ou amantes da democracia… Diante da recorrente questão “Golpe” ou “Revolução”, deveríamos lembrar as palavras de um ativo protagonista do movimento de abril. Em celebrado depoimento (1981), , Ernesto Geisel declarou: “o que houve em 1964 não foi uma revolução. As revoluções se fazem por uma idéia, em favor de uma doutrina”.
Para o vitorioso de 1964, o movimento se fez “contra Goulart”, “contra a corrupção”, “contra a baderna e a anarquia que destruíam o país”. As palavras do militar golpista – pertinentes, pois rejeitam a noção de “Revolução” para caracterizar o 1º. de abril de 1964 -, no entanto, podem ser objeto de uma outra leitura. Neste sentido, é possível – a partir de uma outra perspectiva teórica – ressignificar todos os “contras” presentes no depoimento do ex-ditador. Mais correto é então afirmar que 1964 representou:
(a) um golpe contra a incipiente democracia política brasileira;
(b) um movimento contra as reformas sociais e políticas e
(c) uma ação repressiva contra a politização dos trabalhadores e o promissor debate de idéias que, de norte a sul, ocorria do país.
Em síntese, no pré-1964, as classes dominantes e seus aparelhos ideológicos e repressivos – diante das iniciativas e reivindicações dos trabalhadores no campo e na cidade e de setores das camadas médias – apenas enxergavam “crise de autoridade”, “subversão da lei e da ordem”, “quebra da disciplina e hierarquia” dentro das Forças Armadas e a “comunização” do país que, no limite, implicariam a “dissolução da família” e o “fim propriedade privada”. Embora, por vezes, expressas numa retórica “radical” – reformas na “lei ou na marra”, “forca aos gorilas” etc. -, as demandas por reformas sociais e as consignas políticas visavam, fundamentalmente, o alargamento da democracia política e a realização de mudanças no capitalismo brasileiro.
Contra algumas formulações “revisionistas” – presentes no atual debate político e ideológico (inclusive nos campos da literatura política e historiografia progressistas) – que insinuam “tendências golpistas” por parte do governo Goulart, deve-se enfatizar que quem planejou, articulou e desencadeou o golpe contra a democracia política foi a alta hierarquia das Forças Armadas, incentivada e respaldada pelo empresariado (industrial, rural, financeiro e investidores estrangeiros) bem como por setores das classe médias brasileiras (as chamadas “vivandeiras de quartel”).
Bem antes da chamada “agitação das esquerdas”, alguns desses setores começaram a se organizar para inviabilizar o governo Goulart; a mobilização pelas reformas sociais e políticas – apoiada pelo executivo – ampliou a conspiração e amadureceu a decisão dos golpistas de decretar o fim do regime democrático de 1946.
Destruindo as organizações políticas e reprimindo os movimentos sociais de esquerda e progressistas, a ação dos golpistas foi saudada pelas associações representativas do conjunto das classes dominantes, pela alta cúpula da Igreja católica, pelos grandes meios de comunicação etc. como uma autêntica “Revolução”. Por sua vez, a administração norte-americana de Lyndon Johnson (1963-1969) – que foi poupada de dar apoio material aos golpistas, como está comprovado documentalmente -, congratulou-se com os militares e civis brasileiros pela rapidez e eficácia da “ação revolucionária”.
Para alívio do Pentágono, CIA, Embaixada norte-americana etc uma “nova Cuba” ao sul do Equador tinha sido impedida! Embora tivesse uma simpática acolhida junto aos trabalhadores, às classes médias baixas e aos meios sindicais, o governo João Goulart ruiu como um castelo de areia. Dois de seus principais pilares de apoio – como apregoavam os setores nacionalistas – mostraram ser autênticas peças de ficção. De um lado, o propalado “dispositivo militar” que seria comandado pelos chamados “generais do povo”; de outro, o chamado “quarto poder” que estaria representado pelo Comando Geral dos Trabalhadores (CGT).
A rigor, ambos assistiram – sem qualquer reação significativa ou eficaz – a queda inglória de um governo a quem juravam fidelidade; inclusive, diziam os mais “radicais”, com o peço da própria vida. Desorganizadas e fragmentadas, as entidades progressistas e de esquerda – muitas delas subordinadas ou tuteladas pelo governo Goulart – não ofereceram qualquer resistência à ação dos militares. Sabe-se que, às vésperas de abril, algumas lideranças de esquerda afirmavam que os golpistas – caso atrevessem quebrar a ordem constitucional – teriam as “cabeças cortadas”. Mostraram os duros fatos que se tratava de uma cortante metáfora. Com a ação dos “vitoriosos de abril”, esta expressão, no entanto, tornou-se uma aguda e cruel realidade para muitos homens e mulheres durante os longos e sombrios 20 anos da ditadura militar. 46 anos depois, nada há, pois, a comemorar.
O golpe de 1964 foi um infausto acontecimento pois teve conseqüências perversas e nefastas no processo de desenvolvimento econômico, político e cultural do Brasil – que ainda se refletem nos tempos presentes.
Decorridos 46 anos do golpe, o conjunto da sociedade brasileira repudia a data, mas os progressistas e socialistas não podem se satisfazer com a derrota sofrida pelos golpistas no plano ideológico. Se os valores da democracia atualmente são diuturnamente exaltados no debate político e cultural, os progressistas e os socialistas não podem se calar diante do fato de que o regime democrático vigente nos pós-1985 ainda não fez plena justiça às vítimas da ditadura militar e ainda todos aguardamos que a verdade sobre os fatos ocorridos entre 1964 e 1985 seja plenamente conhecida.
Sendo o “direito à justiça” e o “direito à verdade” condições e dimensões relevantes de um regime democrático, não se pode senão concluir que a democracia política no Brasil contemporâneo não é ainda uma realidade sólida e consistente.
C. de Toledo
Boletim do PCB
Saiu a primeira edição do Boletim Informativo Digital do PCB – SBC.
Você pode acessar o boletim na página que foi criada para que sejam arquivadas as várias edições que estão por vir.
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